O lugar é muito dificil, mas claro dá para viver. Asfalto é coisa que quase não existe. Tem, mas acabou. O calor, infernal.
Nunca tinha suado tanto na vida quanto o momento em que tentava pegar a minha mala no aeroporto. Minha mãe, que viu a organização da fila do check-in em Lisboa, é a única pessoa que pode ter uma noção bem pequenina do que é a chegada no aeroporto daqui. E ainda assim.....
São mais ou menos 700 pessoas se debatendo para ao menos enxergar se a mala vem vindo na esteira que tem lugar em volta para umas 20 pessoas só. Todas as malas chegaram e não tenho do que reclamar!
E menos mal para a falta de banho quente. Nem precisei ainda descobrir se tem. E nem quero pensar em água quente, por enquanto!
O melhor momento foi quando o motorista apontou para uma rua de barro esburacada, com capim pra todo lado e esgoto a céu aberto e disse: - Seu hotel fica nessa rua. Rua? Eu achei que fosse uma 'quebrada', um beco.
Mas não, entrando lá e dobrando à esquerda, encontrei um hotel até bonitinho. Na verdade, é uma casa cheia de puxadinhos. Mas tem piscina, água e luz o dia inteiro, banheiro no quarto e até ar condicionado. Luxo! Não vou ficar muito tempo lá. É caro.
Depois já fui ao escritório onde vou trabalhar e conversei com algumas pessoas que me pintaram um cenário no mínimo desafiante. Muito trabalho e pouca gente disposta a enfrentá-lo. A chefona que acabou de chegar não é a pessoa mais facil do mundo, no que diz respeito à flexibilidade, ao tratamento humano dos funcionários e à docilidade.
Mas isso vai depender mesmo do que eu encontrar no dia-a-dia. Vamos esperar e ver no que dá. à noite, fiquei até tonta com o tanto de informação que recebi. encontrei mil e um brancos, todos trabalhando aqui em projetos de cooperação, ongs e coisas e tal.
Portugueses, espanhois, alemaes, escoceses, todas as nacionalidades. Exatamente o 'gueto dos brancos' como eu havia imaginado. Claro que será bom estar por perto, mas vou tentar me misturar também um pouco com os locais, para aprender o crioulo.
Sta bom é como se diz 'tudo bem', em resposta ao 'como vai?', que aqui se diz 'cumá?' (e não cuma como o Didi)
No meu segundo dia aqui, acordei cedo, comprei um celular - digo telemóvil -, passeei pelo mercado Bandim, que é um lugar quase indescritível.
Se eu tentasse explicar, diria que parece o camelódromo da Uruguaiana no Rio, só que muito pior, de chão batido, ruelas bem apertadinhas e mais bagunçado. Mas justiça seja feita, encontra-se de tudo, desde bicicleta, telemóvil Motorola V3 a carnes expostas e cheias de mosca em cima - de dar água na boca.
Acabo de sair de uma aula de dança africana. Viva! No centro cultural franco-guineense, que parece ser aqui o lugar onde as coisas acontecem.
E agora estou nesse cybercafé, um desses lugares que poderia ser em qualquer parte do mundo, porque se parece com qualquer coisa que se vê por aí: uma sala cheia de computadores e, graças a deus, ventiladores.
Ainda tenho muito a aprender, e muito a descobrir. Essas são apenas as primeiras impressões e sinto que são uma visao superficial, a ponta do iceberg de um mundo a descobrir.
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