Já tenho casa para morar, há mais ou menos uma semana. É um apartamento pequenino na praça Titina Silà. É o nome de uma mulher que lutou pela independência do pais. O prédio fica perto da embaixada portuguesa, do consulado italiano, próximo à casa da mãe do presidente e em frente ao liceu nacional Kuameh N’Kuruma, um líder da independência no Gana. Quanta independência para uma praça só!
Acontece que aqui não sou muito independente não. Dependo dos outros para muita coisa. Não me sinto totalmente livre para andar sozinha na rua nem de dia. Tem muito assédio, de homens, de mulheres, de vendedores de todo o tipo. Branca, branca, amiga, senhora são as palavras que mais escuto na rua. E, claro, fora o fato de que tenho rabo grande, que é o jeito natural (e muito sutil) que se referem aqui para dizer mulher que tem bunda grande.
O fato de estar sozinha também não é muito fácil. Aqui todo mundo pergunta pelo meu marido. Não conseguem entender muito bem o que uma mulher como eu faz sem marido. Claro que, quando perguntam na rua, o meu marido esta sempre chegando, vindo, em casa, no trabalho, em qualquer lugar.
12/11/2007
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