Localize-se no mapa: Cap Skirring fica ao sul do Senegal, perto de Ziguinchor, uma das maiores cidades da região. A mais ou menos 3 horas de distância de Bissau. Perto também de Banjul, na Gâmbia.
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Viajamos em um carro bem antigo, uma espécie de kombi para 7 pessoas. So que éramos 3, mais o motorista. Então, a impressão era a de estar em uma limousine, com todo o espaço e conforto do mundo. Eu, pra variar, dormi quase o caminho todo de ida.
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Meus companheiros de viagem foram a Aida, uma angolana-portuguesa-holandesa que trabalha no mesmo prédio que eu, mas que no fundo é escritora e o Nelson, um angolano que trabalha na embaixada de Angola.
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No meio do caminho, passamos por Bula, uma cidadezinha aqui perto de Bissau onde, aos sábados, existe uma grande feira. Nesse lugar, da-se a impressão de que estamos mesmo na África do mundo imaginário, mas é real: muita gente, muito barulho, muitas cores e muita animação. Mulheres transitando pra la e pra ca com aqueles vestidos coloridos e panos na cabeça, com o bebê pendurado nas costas. Gente vendendo galinha, bode, cabra, tudo o que se possa imaginar. Comida de rua, daquelas que da vontade de comer. Frutas de todo tipo. Pessoas transitando de um lado para o outro. Barraquinhas pelos cantos, cheias de coisas penduradas. Eu acho isso tudo muito lindo.
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A praia de Cap Skirring é como as praias da Costa do Sauipe na Bahia. Praticamente, so os turistas brancos (maioria de europeus) é que freqüentam. Os hotéis ficam todos à beira da praia. Eu não gosto muito desse tipo de lugar, mas estava na onda dos meus companheiros de viagem, que queriam conforto. Eu so queria não ter que me preocupar em organizar nada. E não posso dizer que curti muito ficar tranqüila no luxo, com sombra e água fresca, cervejinha gelada, caipirinha, chuveiro quente e comida bem feita.
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Não deve ser legal ser negão no Senegal. A exploração é muito grande. Enquanto o turismo prospera e os (na maioria) brancos se divertem, os senegaleses trabalham um bocado e ganham salários minúsculos, trabalhando nos hotéis, cujos proprietários e diretores em geral são europeus.
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No meio dos hotéis de luxo, há os locais que tentam ganhar a vida na praia. Escultores, artistas, na maioria. Uns são até muito interessantes, mas a maioria são uns chatos que grudam em você e ficam lá te enchendo até você comprar qualquer buginganga, so para se ver livre deles. Vendem até copia de perfume importado na praia.
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Um dos grupos que tenta prosperar em meio aos hotéis de brancos turistas, há uns “rasta men” que abriram um "restaurante". É uma cabaninha no meio da areia, coberta de palha, com um fogo improvisado no carvão, onde assam ostras e mariscos. Muito simpáticos. Fiquei lá um tempinho, tomando chá com eles. O chá senegalês é muito forte e fica fervendo durante horas. Para aguentar o gosto, colocam muito açucar, muito mesmo. E ha três "fornadas" de cha. O primeiro é muito amargo, duro como a vida. O segundo é forte, como a amizade. E o terceiro é doce, como o amor. O jeito dos senegaleses de falar francês é cheio de poesias e metáforas.
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Os escultores da praia te convidam pra sentar e ficam contando a historia de cada mascara ou peça. Parte das historias parece ser invenção pura, lorota boa, mentira braba. Mas é daí também que vem o charme da coisa: o jeito de contar as historia.
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Além de servir chá e comida, os rasta men que nos convidaram para a cabaninha também organizam mini-viagens turísticas de piroga (um barquinho típico da região) até o vilarejo deles. São também agentes de outros tipos de viagem, que os angolanos chamam de ganza. Acho que é a única forma de sobreviverem mesmo na selva capitalista dos brancos.
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Em um dos momentos idílicos, deitei na areia, no sol do fim da tarde e cai no sono. Fui acordada por três crianças, que cantavam. Eu não entendia bem a letra da musica, que é uma mistura de wolof com francês, mas foi bonito. Conversei com elas para saber o que achavam da vida. Uma das meninas se chamava Bundao. (sei la como se escreve). Expliquei a ela o que significa esse nome no Brasil.
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Os senegaleses que ‘assediam’ os turistas brancos são muito muito chatos!! Grudam no seu pé e não largam mais. Enquanto não ouvir o que eles têm a dizer e não apertar a mão deles, eles não saem do seu lado. E o assédio sexual também é grande. Não são raros os casos de ‘turismo sexual’ das mulheres, segundo o que ouvi falar. Não foi esse o meu caso, obvio! Mas fiquei impressionada com homens tão “atirados”.
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E também conhecemos os senegaleses legais. Alguns funcionários do hotel nos chamaram para ir à boate, depois do expediente, no sábado à noite. Fomos e dançamos muito com eles, super divertido. O chef do hotel também era dos mais gente boa. Além de fazer uma comida maravilhosa, sempre quebrava nosso galho, vinha à mesa e batia um bom papo. Deve ser legal ser negão no Senegal.
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No Senegal, também faz frio.
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No meio do caminho entre Guiné e Senegal, é preciso atravessar um rio, de balsa. Experiência divertida. é preciso sair do carro. Tem gente com porco, galinha, periquito, papagaio (modo de falar, esses passaros são nossos) e tudo mais o que se pode imaginar. Eu fui no meio de três homens que negociavam o preço de não sei o quê com a policia. mesmo com meu kriol que esta ficando afiado, não consegui entender nada. A combinação de numeros era impossivel. Um falava em dois mil e outro respondia 5.300, ai iam para o 14 mil e voltavam para mil e poucos. Se estavam negociando mesmo, não sei qual era a logica. A paisagem, belíssima. Um rio largo, com bastante mata em volta, a lua no céu e o por do sol alaranjado no outro.
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Na volta, demos carona para um médico louco e trêbado. Fiquei com muita pena, e às vezes com medo. O cara é uma figura e às vezes soltava umas coisas engraçadas dessas de bêbado. Se eu tivesse gravado o que ele disse, seria o próximo Jeremias do Youtube. Nos ensinou a colocar camisinha no meio da estrada. O carro em alta velocidade, para dar tempo de pegar a ultima balsa. Que medo! O tal médico nos chateou até que o motorista parou o carro e pediu para ele descer. Mas quebramos o galho e levamos ele até a tabanca. É o segundo intelectual pirado e alcoólatra que conheço na Guiné Bissau. Morou na Romênia, fala inglês, português, francês, kriol e provavelmente romeno também (mais uma das linguas locais). Acho triste que seja assim.
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Eu não tinha visto para o Senegal e estava com medo de não conseguir ou de ter problemas com a policia na fronteira. Nem criaram caso, mas também não carimbaram o meu passaporte... é como se eu nem tivesse ido lá.
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O mais divertido foi mesmo ver as vacas na praia. Quer dizer, é pitoresco e não divertido. Porque onde há vacas, há também cocô de vacas.
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A praia é cheia de conchinhas. Se alguém ai no Brasil quiser conchas do Atlântico de cá, faça encomendas, que eu levo.
24/01/2008
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2 comentários:
Adorei muito a metáfora do chá! Traga vários para tomarmos juntas no mês que vem (tá chegando, tá chegando!)
Amei também as fotos da praia. Você estirada na rede está sucexo!
Beijos solares
Filha,
Tira logo esse visto...ou vai ficar sempre na dúvida ou fechada em sala de aeroporto???
Bisous, muiiiiita saudade!
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