17/12/2007

Carta ao meu marido imaginário

Meu Querido,

Tenho falado um pouco menos de você para os guineenses que encontro na rua. Isso de certa forma é até bom, porque significa que estou me sentindo mais segura aqui.

As minhas amigas se divertem com essa historia de marido imaginario, e tentam visualizar e fantasiar por mim o que ou quem poderia cumprir esse papel.

Mas só eu mesma sei o que eu quero, no fundo. E espero que você também saiba disso muito bem.

O fato de não falar em você ultimamente não significa que tenha sumido do meu pensamento. Muito pelo contrario. Eu continuo com muita saudade, cada vez mais. Fico cheia de esperança e me alimento com pensamentos imaginando o dia em que estivermos juntos, de verdade.

Não quero que venha montado num cavalo branco, como um príncipe, com falsas promessas. Também não precisa me fazer assinar papel, firmar compromisso e colocar um anel no meu dedo. Ainda não sonho em entrar na igreja de branco, sorrindo para todo mundo, com o rosto cheio de purpurinas e algumas lagrimas. E confesso que tenho até medo do momento em que seguram a minha mão para colocar um anel no meu dedo, fazer e exigir promessas eternas que não podem ser cumpridas.

Mas sonho sim, devo confessar, com um homem que esteja disposto a dividir seus planos e sonhos comigo, a me agüentar – sou uma pessoa inconstante e eterna insatisfeita – e a me dar forças para que eu também possa realizar meus sonhos e fazer planos. Um marido que esteja presente na medida suficiente para que eu não tenha que alimentar fantasias com um príncipe que não existe nem nunca vai existir.

Você não precisa ser meu marido no papel, mas deve sê-lo na presença, me fazer sentir protegida e amada. E ao mesmo tempo me dar liberdade para eu dividir também o amor que tenho pela humanidade, pelos meus amigos e pela minha família.

O ideal é que me segure pela mão e ande lado a lado comigo e não que me prenda pelo braço. Assim eu me sinto presa. Nao quer dizer que eu às vezes também nao queira prende-lo, mas deixa que isso eu faço com uma bela chave de coxa e nao deixo voce sair da minha cama.

Além de povoar meus sonhos eróticos e, claro, satisfazer o meu 'furor uterino' ocasional, marido, você precisa também ser companheiro e estar ao meu lado quando tudo o que o meu corpo pedir for só um colo e um abraço em silêncio.

Precisa me amar quando eu menos mereço – porque é exatamente quando eu mais preciso ser amada e compreendida. Precisa segurar a minha onda quando eu dou uma de exibida, independente, cheia de si, rebelde e nervosinha, pois isso só demonstra o quanto estou insegura e preciso de dengo e de um arremedo.

Em troca, o que eu tenho para oferecer é também muito carinho, companheirismo, dengo, apoio, colo e também liberdade, na mesma medida que a minha. E manter você nos meus pensamentos, ainda que à distância; nos meus braços, quando na presença e o tempo todo no coração, que é o que no fim das contas resolve ‘lo todo’.

Beijos, abraços e saudades,

Flavinha

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, que declaração...espero que o pretendente entenda, se inspire e se prepare pra te dar tudo isso, e receber esses mil predicados de volta!!!!!!

beijos da mãe coruja e cada vez mais orgulhosa, SE CUIDA!!!!!!

Cá com meus botões disse...

Flavinha, fala isso pro meu tb!?? Acho que, de repente, eles são irmãos... talvez da mesma familia? Amigos, vai.
Também estou por aqui. Sempre.
Beeeeeijos, minha Guineesense preferida!