Gente, tem uma palavra tao util no jeito guineense de falar : o coiso.O português não foi, não é e talvez nunca seja a língua dos guineenses. A impressao que tenho é que ainda não adotaram definitivamente essa lingua. Claro, foi uma lingua imposta pelos colonizadores. E essa é uma grande diferença em relaçao ao Brasil. Aqui, mantiveram-se as culturas originais, com bastante força. Isso é um bom sinal. As línguas maternas são outras – manjako, felupe, balante, fula, etc, etc, etc - e o crioulo é a língua de ligação.
E como Macunaíma nunca veio até a Guiné Bissau trazer a antropofagia, quando a língua portuguesa é falada, ela sai cheia de coisos.
O coiso é o marido da coisa e é muito versátil. Aqui ele pode ser tudo. Assume todos os papéis.
Exemplos?
“Vai ali no coiso comprar um cartão.”
“Olha, eu volto já, vou ali no coiso.”
Por ai vai.
Acho que vou começar uma coleção de frases com o uso do Coiso. Ele é falado assim geralmente no fim de uma frase, depois de uma pequena pausa. Se eu fosse escrever, a pausa curta ia virar algumas reticências. Não sei se da para ouvir ai, mas é como se a pessoa esquecesse a palavra que ia dizer e ai solta um.... coiso.
Eu bem sei que no Brasil também é muito comum ouvir o coiso coisando a coisa là com a coisinha. A diferença é que aqui a palavra é proferida por ministros, magistrados, doutores, professores, parlamentares e, claro, pelo... coiso.
Quando são eles que falam no coiso, até substituem depois por uma outra palavra. Tipo assim: “Uma das grandes causas da violência contra a mulher na Guiné é o... coiso, o machismo. Ainda há um longo caminho a se percorrer para alcançar a autonomia das mulheres, prevenir a violência e estimular as denuncias. E a forma mais eficiente de combater a violencia é... o coiso.”
Eu também ja adotei o coiso e volta e meia me pego falando coiso pra ca, coiso pra la. Adoro!

Sobre as imagens: o desenho é de mundesign.org.
E a outra, essa ai acima é do filme Macunaima. Se o Macunaima não veio até a Guiné, o Grande Otelo pelo menos deve ter vindo, ou vindo daqui. Ha muitas figuras parecidas com ele em Bissau. Um dos seguranças la de casa é quase sosia.
3 comentários:
Olha que curiousa essa nossa cultura cá no Brasil. Vc já percebeu que "OPA" está virando uma epidemia? Logo após o nosso "Opa, Jean Claude!", todo mundo anda soltando uns "opas" por aí. Por exemplo, quando chega alguém perto de você, logo se diz "opa, fulano, como está você?". Ou no elevador "opa, aperta o segundo, por favor?". Tem também os "opas" avulsos, sem complemento semântico. É aquele "OPA" quando a gente esbarra em alguém e, como não há o menor vínculo afetivo possível, o "OPA" fica boiando no ar, em busca de um sentido...
Gente, é coiso aí e opa aqui...e eu só com saudade do voilà....beijos menina linda!
Lilian
Em ums dos meus (3) dias como wannabe de chefe de redação (nas férias do oficial) peguei uma matéria, já publicada no site, que diz que "O MEC vai montar um grupo de trabalho para estudar, dentre outras coisas, o transporte escolar por meio fluvial". Quase surtei. Vai estudar os rios, os barcos, a vida, o universo e tudo mais, né? Meus sinceros coisos a você :)
Lu Yonekawa
Postar um comentário