26/12/2007

Respostas

Tenho recebido algumas mensagens de guineenses de dentro e fora do pais – muitos inclusive vivem no Brasil – que tiveram acesso ao blog e sentiram-se ofendidos com as minhas criticas.

Devo as minhas mais sinceras desculpas.

Nunca tive intenção de denegrir a imagem da Guiné Bissau, muito pelo contrario.

Na verdade, ontem ao voltar de Cacheu, fiquei pensando o tanto de carinho que sinto por essa terra. É um pais muito bonito, com pessoas maravilhosas e acho uma pena verdadeiramente que seja um pais tão abandonado e esquecido pelo resto do mundo. Mas asseguro que estou aqui para o bem, estou aprendendo novas formas de enxergar a vida. Não posso nunca negar que fui muito bem acolhida nesse pais, que os guineenses são extremamente acolhedores e que isso me faz sentir bem no pais, apesar de tantas dificuldades de adaptaçao, sobretudo no começo.

Ver a miséria do pais me repugna sim, principalmente porque acho impensável a humanidade destratar tanto assim os seus iguais. E isso me desperta um sentimento de impotência inimaginável. A vontade é de arrancar os braços ou as maos se eu tivesse a certeza de que isso poderia ajudar a melhorar a vida das pessoas que sofrem tanto com a miséria. Mas sei que isso nao é possivel e me entristece muito. A frustração e a descrença na humanidade me fizeram erroneamente descontar na Guiné Bissau – e talvez nos guineenses – todo o meu espírito critico. Porém, nunca houve nenhuma intenção proposital de ofender o pais, seus habitantes, sua língua ou seus costumes.

Estão certos os que dizem que as minhas criticas são ignorantes. De fato, são primeiras impressões e uma visão deturpada e segmentada da realidade que presenciam aqui. Eu sempre soube disso. E é o que esta escrito nos meus diários – que não são integralmente publicados aqui no blog. Mas aos poucos, e até com a ajuda dos meus leitores – Obrigada! - , vou descobrindo e compreendendo um pouco a historia do pais, dos sentimentos dos guineenses, dos medos e das conseqüências devastadoras de uma guerra tão recente ao desenvolvimento do pais hoje em dia. E torço muito para que a Guiné Bissau reencontre o caminho da reconciliação, da paz e do desenvolvimento.

O Kriol, que para mim soa como língua de preto velho (essa é a impressão de uma brasileira que nasceu e cresceu na cidade), é uma descoberta lingüística cada vez mais incrível para mim. Interessante perceber como os povos de diversas etnias escutavam o português e criaram uma língua de comunicação própria, baseada no que ouviam. E a estrutura da língua é riquíssima, porque é simples. Converso muito com a minha professora sobre isso.

Não entendi até hoje porque o crioulo não é ensinado nas escolas, acho que as crianças guineenses e as futuras gerações ganhariam muito com isso. Ajudaria a construir uma identidade mais forte para o pais que parece enfrentar uma crise de identidade. É o que sinto.

Além do que, há de fato muitas semelhanças do kriol com o português do Brasil, com as corruptelas do português de Portugal que em tantos estados brasileiros transformaram essa língua riquíssima em uma gama de expressões e palavras transformadas. Me divirto muito aprendendo. E se digo que às vezes me faz rir, não é a risada de chacota e sim a risada alegre de mais uma descoberta.

Essa é mais uma lição aprendida. Já havia ouvido para ter cuidado com o que publico, porque o que esta na internet corre o mundo. Não poderia imaginar que o blog fosse visitado por pessoas além dos meus amigos e familiares. E mesmo se fossem so eles os visitantes, a intenção nunca foi fazer criticas gratuitas aos guineenses.

Refiz uma releitura dos meus textos com cuidado e atenção e retirei todos aqueles que são agressivos. Pensarei mais de uma vez antes de publicar criticas a pessoas e ao pais.

Obrigada pelas reações, continuem lendo e criticando. É assim que eu aprendo.

E desejo a todos um Feliz 2008!

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